4.11.04

Saudade Feiticeira...



Saudades que eu tenho do teu corpo, de te sentir assim perto de mim. De passar as maos por ele e sentir cada curva, cada relevo, sentir a tua pele macia. Passar levemente as maos pelas tuas costas e demais. Sentir os teus beijos, a tua boca , sentir o teu riso. Saudades de sentir o teu olhar em mim, de sentir a tua entrega incondicional.
E deitei tudo a perder...Tas esgotada...Eu tou esgotada....E eu quero-te tanto e nao conseguimos encontrar essa sintonia que nos uniu ao inicio.
Sinto a tua falta, ando sem rumo e desorientada, nao tenho vontade de fazer nada. Lembras-te? desmoronei por completo. E ainda nao me estou a conseguir levantar. Uma das coisas que eu gostava de fazer nao consigo mais...Ouvir musica... Tanto que a gente ouvia musica....Entrar nas letras das cancoes e simplesmente uma tortura psicologica. Agora doi demais recordar, voltar atras e ver o que eu perdi. Nao quero que sofras mais e tambem nao quero sofrer mais. Sinto que te magoou-o a cada minuto que estou ctg, ate ao ponto de nao conseguires estar comigo, de me evitares.
Nao consigo estar sozinha em casa, faco de tudo para chegar a casa e ir-me deitar, dormir e uma forma de esquecer mas o problema e que tb nao consigo dormir...Tento ocupar a cabeca com tudo, com toda a gente e nunca resulta.
Tu foste a unica pessoa a quem eu deixei entrar mais profundamente no meu mundo..Tirei varias peles, baixei barreiras (claro e diras tu nao todas ou nao as suficientes), libertei partes de mim que nao partilhei nem partilho com mais ninguem. E no entanto sempre vivemos em mundos completamente diferentes, com linguagens diferentes, logicas diferentes, tudo diferente.
Esta saudade consome-me, esgota-me, destroi-me. E como uma ferida que nao estanca, esta sempre a sangrar, nao para e so doi.


1 Comments:

At quinta nov. 11, 11:49:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

"E se a morte te esquecesse?
Ficarias aí deitado, o olhar fixo noutros olhares. Silencioso, ou a contar histórias de barcos, de oceanos e de mares, de peixes e de turbulentos rios - até que a luz poeirenta do mundo se extinguisse, para sempre.

Asfixiado pelas areias da praia onde a vaga fosforosa te abandonou.
Por que é que eu caminho no fundo deste tempo escuro e já não existo?

Mas nada acontece, porque a tua morte me tolheu. Não se ouve um fio de voz.
Resta o teu corpo deitado sob a respiração febril de quem se deu ao trabalho piedoso da vigília.
É através da memória dos outros que recordas o rosto que tiveste.

O que quero dizer é que já não sinto nada quando te olho. O rosto está morto e amortalhou o meu.
Outrora, quando navegavas, escrevia-te para contar o que não tinha sentido na viagem. Hoje, penso em ti como se fosses uma música da alma.
O teu olhar de morto e o meu são cúmplices, e ainda não deu hora nenhuma. Temos tempo de sobra.
Vou ressuscitar-te, assim poderás contar-me em sussurro o que fomos.
Eu poderei contar-te o que esqueci. Esta canção quase perdida na casa do nosso passado.

O sonho tem manchas de frutos sorvados no coração. Tem palpitações de sangue e de ilhas, de mares que se espreguiçam para dentro das cidades. E estas sobrevivem envoltas num véu de neblinas. Vêmo-las tremeluzir no turvo crepúsculo das praias.

Que ponte levadiça trará de novo o desejo esquecido nos postos longínquos?"

//Poeta_Pedrada\\

 

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